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terça-feira, 8 de setembro de 2009

O FUTURO DISTANTE

O Rei Ellonéias observava da torre, o seu imenso castelo. O vento fazia com que as plantas coloridas do campo bailassem com seu sopro celestial, o céu alaranjado marcava a despedida do sol, e de lá de cima, o Rei avistava os camponeses andando de um lado para o outro, preparando a ceia da primavera.
- Nunca te vi contemplar a paisagem, às vezes penso que nem conhece as belezas de teu próprio castelo... – A Rainha Milária acariciou os ombros do marido e suspirou juntando-se a ele.
- Eu vejo muito além disso minha Rainha. E vejo que não dormistes bem essa noite, o que te preocupas? – Ele se virou para mirar o semblante da esposa.
- O que é que não preocupa uma Rainha? – Ela sorriu e caminhou graciosamente para a penteadeira, e pegando uma escova, sentou-se na cama para escovar os cabelos ruivos .
- Ora, está quase tudo pronto para a grande festa, tenho certeza que eles adorarão a nossa princesa. – Ele sentou ao seu lado.
- Ó sim, adorarão.
- E por falar nisso, onde ela está?
- Se preparando para a apresentação, o nosso bebê deve está lindo como a primavera.
Batidas na porta interromperam os reis, Milária permitiu a entrada de uma moça de estatura baixa e morena, que carregava nos braços uma pálida criança de cabelos ruivos e sorriso singelo. A moça fez uma leve reverência diante dos reis.
- Venho pedir a majestade, à permissão para que a ama de leite possa...
- Ó! Como estas linda, Lena! Nenhuma estrela do céu é capaz de ofuscar o teu brilho! - A Princesinha pareceu gostar do elogio e sorriu maliciosamente sacudindo os braçinhos para a mãe - Dei-me cá a minha criança!
A criada entregou o bebê para a rainha e retirou-se do quarto fazendo uma ultima reverência.
Ellonéias segurou as mãozinhas ansiosa da filha, e disse olhando nos olhos negros de Lena:
- Filha, tu serás um dia A Grande Rainha, e hoje todos os reinos de Corá conhecerão a mais bela Princesa! É pequena ainda, meu bem, mas se tornará majestosa e gigante para assumir essas terras... – E tomando a menina nos braços, mostrou o horizonte e os campos distante. A menina prendeu os olhos hipnotizados para o pai e sorriu se sacudindo no colo, puxou com as mãozinhas finas e miúdas, as mechas de cabelo grisalhas do Rei. Ele sorriu.
- Vamos Ellonéias, um dia terás essa conversa com tua filha. Daqui a uns doze anos ela estará novamente no grandioso salão, e poderá compreender os teus anseios. – Milária segurou a filha e ficou ninando o bebê enquanto o rei mais uma vez olhava pela janela.

PRÓLOGO

Escondido nas neblinas, pertos dos mais belos rios e riachos, encontrava-se o castelo de Clarizon, era uma terra em que as árvores davam os melhores e mais vistosos frutos, as flores perfumavam os campos, os pássaros cantavam antes de nascer o dia, era um lugar onde jamais a esperança havia morrido.
Mas tudo isso era antes, bem antes de ocorrer a maior e mais sangrenta guerra da história da terra de Corá. A partir de então, a neblina ficou mais densa e escura, os pássaros já não cantavam suas belas melodias, os frutos não tinham o mesmo sabor, e não se via mais, o verde da esperança.
Talvez digam que a lenda de Clarizon seja mais uma daquelas que contam para as crianças dormirem, onde os garotos esperam pelas batalhas e as meninas pelo príncipe encantado. Talvez...
Lendas para alguns não são mais que histórias inventadas e passadas em gerações. Eu poderia dizer que até não acredito nelas... Mas não duvido dessa lenda, por que sou a sua alma viva.
Falaram-me um dia que eu seria a Rainha, mas eu não lhes falei que nunca quis herdar a coroa.